Formações Ferríferas Bandadas (BIFs): Conheça mais sobre

As formações ferríferas bandadas (BIFs) tratam-se de sedimentos químicos finamente estratiformes ou
bandados, enriquecidos em ferro, com leitos ricos em sílica ou cherts e ferro alternando-se
mutuamente. A espessura desses leitos pode variar de 0,5 a 3 cm, mas são em geral finamente
laminados.

O Ferro é, portanto, o elemento mais abundante nos sedimentos químicos e pode ser precipitado no
estado férrico como um óxido ou hidróxido (hematita ou limonita-goetita) ou como um como um
silicato (glauconita) e no estado ferroso como carbonato (siderita ou ankerita), silicato (charnosita) ou
ainda como um sulfeto (pirita).

No Brasil, tanto em Carajás, no Pará, quanto no Quadrilátero Ferrífero, se encontram essas formações e elas fazem parte dos principais depósitos de minério de ferro encontrados no país. Para saber mais sobre ela, leia este conteúdo até o final.

Formações Ferríferas Bandadas (BIFs) dobrada com 3400 Ma (Austrália)
Formações Ferríferas Bandadas (BIFs) dobrada com 3400 Ma (Austrália) – Fonte: exobiologie.fr

Composição mineralógica das formações ferríferas bandadas

As formações ferríferas bandadas (BIFs) podem conter siderita, silicatos de ferro, magnetita e hematita. Em geral, as Formações Ferríferas Bandadas apresentam 4 fácies distintos:

  • O Fácies Óxido: mais importante e pode ser dividido em dois subfácies: o subfácies hematítico e o subfácies magnético, de acordo com o óxido dominante.
  • O Fácies Carbonato: consiste em chert intercalado com siderita em igual proporção.
  • O Fácies Silicático: é constituído de silicatos de ferro geralmente associados com magnetita, siderita e chert que forma camadas também alternantes entre eles.
  • O Fácies Sulfeto: consiste de argilito carbonosos piritoso representado por rochas finamente bandada com matéria orgânica consistindo de 7-8%.

Em função da presença desses fácies, idade e associações litológicas, os BIFs podem ser conhecidos pelos tipos Algoma, Superior e Rapitan. A maior parte das BIFs se formou antes da oxigenação da atmosfera (Arqueano/Paleoproterozóico), onde tiveram seu apogeu, ocorrendo muito subordinadamente no Fanerozóico. Contendo portanto 4 períodos de formação, sendo eles:

  • 1- Meso-arqueano (3500-3000Ma)
  • 2- Neo-Arqueano (2900-2600Ma)
  • 3-Paleoproterozóico (2500-1900Ma)
  • 4-Neoproterozóico-Fanerozóico (750-450Ma)

Porque BIFs na sua maioria são confinadas no Pré- Cambriano?

As BIFs estão confinadas em sua maioria no Pré-Cambriano, pois possuem relação intrínseca com a oxidação da hidrosfera. Sendo uma hipótese hidrotermal, onde haveria uma hidrosfera estratificada, com uma zona superior oxidante, próximo a costa, e zona inferior anóxida, de ambiente marinho profundo, enriquecida em Fe ferroso e
em Si que seriam transportados de fontes hidrotermais submarinas por correntes aquosas ascendentes. Ao interagir com a águas superficiais, o Fe começaria a precipitar-se.

Principais tipos de depósitos de formação ferrífera bandada (BIFs)

Abaixo, vamos explicar a diferença entre os principais tipos de depósitos de formação ferrífera bandada (BIFs), confira:

  • Tipo Algoma: inclui os 4 fácies, mas predominam o fácies óxido, carbonático e sulfeto com fácies silicático aparecendo no fácies carbonático de maneira subordinada. Ocorre associado às sequências vulcânicas e grauvacas e folhelhos carbonosos, em ambientes tectonicamente instáveis. Apresentam conformação maciça e forma lenticular em meio a associação de rochas vulcânicas e grauvacas. Em geral, é de idade arqueana e apresenta pequena espessura, na ordem de 200m.
  • Tipo Superior: forma níveis espessos, contínuos, atingindo às vezes 3000m de espessura. Nele predominam os fácies óxido, carbonático e silicático, em menor proporção o fácies sulfeto. Apresenta a idade entre 2500 e 1800 Ma e não se encontra necessariamente associado às sequências do tipo GBs. A presença da associação cherts dolomitos-folhelhos carbonosos indica que os BIFs foram depositados em ambientes pericontinentais ou em miogeossinclinais.
  • Tipo Rapitan: é constituído principalmente do fácies óxido em bacias marinhas rasas, ao longo de margens continentais, com ou sem contribuição vulcânica. Tais sequencias aparecem no Neoproterozóico em geral associadas com depósitos glaciais.

Importância das formações ferríferas bandadas (BIFs)

O Quadrilátero Ferrífero (QF) que é uma das principais províncias minerais brasileiras afloram itabiritos, que pertencem à sequência plataformal do Supergrupo Minas, com idade paleoproterozóica, hospedando diversos depósitos com alto teor econômico, controlados por estruturas téctônicas. Existem teores de ferro de minério compacto a semi-friável e friável maiores que 64% além de itabirito enriquecido com teores entre 30 e 60%.

Já na Província de Carajás, a unidade que hospeda as formações ferríferas é o Grupo Grão-Pará, que representa uma sequência vulcano-sedimentar arqueano, hospedando camadas de BIFs com intercalações de jaspe (jaspilito), sendo também uma das principais regiões onde há a prospecção mineral e exploração de ferro no Brasil.

Se você quiser saber mais sobre este e outros assuntos ou contar com uma equipe de geólogos especialistas nesse tema, entre em contato conosco!

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.