Depósito do tipo Skarn: O que são e quais mineralizações eles geram?

O depósito do tipo skarn é composto por rochas metassomáticas que possuem granulometria média a grossa e que apresentam na sua composição uma série de minerais, como, silicatos ricos em Ca, Mg, Fe e Mn (granada + ortopiroxênio).

Os escarnitos se diferenciam das rochas calcissilicáticas comuns pela existência de minerais acessórios metálicos, aspectos texturais e processos formadores. Além disso, eles são encontrados associados a vários tipos litológicos, particularmente a rochas carbonáticas, mas podem ser encontrados em Formações ferríferas, basaltos, etc.

Se você quiser saber mais sobre os depósitos do tipo skarn e sobre quais mineralizações podem ser geradas a partir dele, leia este conteúdo até o final!

Como se formam os depósitos do tipo skarn?

Os depósitos do tipo skarn se formam a partir da substituição de rochas carbonáticas por uma assembleia de silicatos cálcicos ou magnesianos (granda e piroxênio) durante metamorfismo de contato ou regional, resultadas da interação entre corpos intrusivos (de natureza acida a intermediária) e rochas carbonáticas.

O metassomatismo é representado pela presença de Si, Al, Fe, Mg junto a calcários ou dolomitos e resulta da reação entre uma rocha carbonatada e um fluido hidrotermal de alta tempertura (comumente de origem magmática à rochas carbonáticas sofrem metassomatismo com adição de Si, Al, Mg, Fe advindos de rochas intrusivas ácidas).

Já as rochas calssilicáticas comuns são rochas formadas a partir de sedimentos carbonáticos impuros durante metamorfismo regional, são pobres em mineralizações metálicas e apresentam predominantemente granulação fina. Por fim, existem ainda os escarnoides, que são rochas calcissilicáticas de granulação fina, pobres em ferro, e que refletem em parte, a composição do protólito.

Essas rochas resultam do metamorfismo de margas em ambientes quimicamente abertos, que proporcionam a atividade de fluidos externos em pequena proporção. Têm formas adaptadas ao percurso seguido pelos fluidos metassomáticos e pelos contatos entre as rochas carbonatadas e silicatadas. Geneticamente, escarnóide é um termo intermediário entre hornfels metamórfico e um skarn de granulação grossa puramente metassomático.

Uma das principais diferenças dos skarns para rochas calcissilicáticas comum é a granulação:

  • Calcissilicáticas: granulação fina a média;        
  • Skarn: granulação grossa.
depósito do tipo skarn
Depósito do tipo skarn. Fonte: https://www.scielo.br/j/bjgeo/a/86jkTYQQrHGQTZqNcrGyVLy/?format=pdf&lang=pt

Mineralizações encontradas em depósitos do tipo skarn

As diferentes mineralizações encontradas em depósitos do tipo skarn são produto de variáveis composições das encaixantes, estado de oxidação e afinidades metalogenéticas com a intrusão ígnea, em geral, skarns com ferro estão associados a intrusões de composição intermediária à máfica (ambientes de arco de ilha, Fe ± Cu, Co, Au) enquanto as mineralizações de cobre, Pb, Zn, e W se relacionam a intrusões de natureza cálcio-alcalina (zonas orogênicas em margens continentais com W ± Zn em ambientes profundos e em Fe, Cu, Mo, Pb, Zn em ambientes pouco profundos, granitos Tipo I),  já os skarns mineralizados em Mo e Sn associam-se a granitos mais diferenciados (ambientes tardi ou pós-orogênicos, granito Tipo S).

Acesse nosso texto: depósitos do tipo cobre pórfiro para conhecer mais sobre outro tipo de mineralização que você pode encontrar no campo.

Classificação dos skarns

Os skarns podem ser classificados em dois grandes grupos:

Endoskarn: quando a rocha substituída é a rocha granitóide intrusiva (protólito ígneo).

Exoskarn: quando a rocha substituída é a carbonatada (protólito sedimentar).

Os depósitos de escarnitos comumente apresentam zoneamento (do plúton para as encaixantes são):

  • endoskarn a piroxênio + plagioclásio;
  • exoskarn com predomínio de granada sobre piroxênio;
  • exoskarn com predomínio de piroxênio sobre granada;
  • exoskarn a wollastonita e/ou epidoto.

Skarn cálcico: dominados por granadas cálcicas e piroxênios cálcicos (diopsídeo, augita), wollastonita, anfibólios cálcios, minerais do grupo do epídoto, andradita, hedenbergita, zoisita, desenvolvidos a partir de um calcário.

Skarn magnesiano: dominados por olivina, serpentina, flogopita, espinélio, piroxênio (enstatita, hiperstênio) e anfibólios ricos em Mg, talco, forsterita-serpentina, a partir de um dolomito.        

Minério reduzido: mais piroxênio (Mg ou Mn) do que granada, piroxênio com porcentagem mais elevada de componente hedenbergítico e/ou joanesítico (60-90% Hd; 5-10% Jo), uma paragênese retrogradante caracterizada pela presença de hornblenda e/ou biotita, pirrotita e magnetita.

Minério oxidado: mais granada do que piroxênio, granada domina as fases progradantes, o piroxênio é mais diopsítico (20-70 % Hd; 0-5 % Jo), a fase retrógrada é caracterizada pela presença de epidoto, anfibólios da série tremolita-ferroactinolita e pirita.

Os depósitos escarníticos são predominantemente de idade mesozoica ou mais nova. W e Sn podem ser paleozoicos e provavelmente representam ambientes de alojamento mais profundos. Cu, Zn-Pb são principalmente terciários e correspondem a depósitos instalados em profundidades mais rasas. Apresenta mineralizações de: minério de ferro, Cu, W, Zn, C, Pb, Mo, Sn, U, Au.

Minerais minério: magnetita, wollastonita, granada, talco, especularita, grafita, ouro, calcopirita, pirrotita, scheelita, wolframita, galena, esfarelita, pirita, molibdenita, cassiterita, magnetita e especularita. Na ganga: silicatos de cálcio, magnésio, ferro e alumínio (elementos geralmente fornecidos pelas rochas encaixantes tipo carbonáticas e argilitos). Granada, epidoto, vesuvianita, diopsídio, tremolita e wollastonita são os minerais correspondentes.

Estados de evolução de depósito do tipo skarn

São três os estados de evolução de depósito do tipo skarn:

A.Progradante:

1. Metamorfismo Isoquímico: recristalização metassomática e mudanças mineralógicas no protólito há circulação de fluidos em alta temperatura formando minerais calcissilicáticos, o metamorfismo isoquímico é induzido por aumento de temperatura e gera hornfel cálcico de granulação fina e paragênese anidra;

2. Metassomatismo: cristalização do magma e liberação de uma fase fluida produzindo o skarn, o processo envolve fenômenos de infiltração e difusão, gerando assembleias ricas em Si, Al, Fe (granada + piroxênio);

B.Retrogradante:
3. Alteração Retrógrada: resfriamento do plúton e circulação de águas de temperatura mais baixa, possivelmente meteóricas, oxigenadas, causando alteração retrógrada dos minerais calcissilicáticos a minerais metamórficos e metassomáticos, nessa fase se formam os novos minerais hidratados de temperatura mais baixa a partir dos minerais anidros formados previamente, gerando mineralização sulfetada de óxidos.

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